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Gestão de Crises e Continuidade dos Negócios

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Mais um ano novo e uma série de novos desastres. Quem sabe não é hora de transformar esta crise em oportunidades de mudanças, melhorias e conquistas?

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Depois de 12 anos morando fora do país, estou vivendo a minha primeira série de desastres em solo brasileiro. Parece que os céus desabaram e a região Sudeste do Brasil vai ser destruída pela força das águas.

Nesse ponto, seria fácil falar da destruição, das mortes, dos fatores climáticos e das falhas institucionais que estamos sendo expostos nesses primeiros dias de 2011. Muito provavelmente, seria um prato-cheio de estatísticas, que provavelmente nos levaria a constatação de que tudo que está acontecendo, nessas enchentes na região Sudeste do Brasil, é um absurdo e inaceitável sob o ponto de vista moral. Certamente, seria possível constatar que é necessário alterar muita coisa para que esses desastres não aconteçam mais, ou mesmo, que os impactos sejam minimizados.

Meu entendimento é um pouco diferente, pois passei os últimos 8 anos da minha vida profissional trabalhando com a preparação para desastres na Nova Zelândia. Juntamente com a minha equipe de trabalho (www.resorgs.org.nz) vivenciamos erupções vulcânicas, ciclones tropicais, tempestades de neve, maremotos, terremotos e enchentes. Por exemplo, no dia 4 de Setembro de 2010, a cidade onde eu morava, Christchurch, foi abalada por um terremoto de magnitude 7.4. Danos da ordem de 2 bilhões de dólares foram contabilizados somente em relação a infra-estrutura urbana, mas NINGUÉM morreu devido ao tremor de terra. Sim, a Nova Zelândia é um país pequeno (22 vezes menor do que o Brasil e população de 4 milhões de habitantes), mas é também um país de recursos extremamente limitados e de economia infinitamente inferior ao colosso brasileiro. Todavia, a sociedade (incluindo todos os níveis governamentais) não aceita que os constantes desastres causem mortes e destruição indiscriminada aquele belo arquipélago.

Então, é constante a preocupação e, talvez mais importante, a ação conjunta de todos os setores da sociedade para que os impactos de qualquer evento de desastre sejam minimizados ao máximo.

Considerando as experiências que tive no exterior e o conhecimento técnico-científico acumulado, fico pensando: Por que não fazemos alguma coisa para mudar a situação? E se decidirmos fazer alguma coisa, o que nós faríamos? Como nós faríamos?

Apesar de o Brasil ser um país muito complexo, acredito que não temos feito muito para mudar a situação por dois motivos principais. São eles:
• A percepção de que desastres atuais e futuros não irão afetar nossa vida de forma significante; e
• Não sabemos o que fazer, pois não possuímos conhecimento sistematizado sobre o assunto e nem desenvolvemos estruturas institucionais, legais, técnicas e de procedimentos básicos.

Supondo que NÓS (sociedade organizada e democrática) decidamos alterar a nossa percepção e iniciar ações sérias, competentes e eficazes para lidar com os desastres, penso que é urgente buscar o engajamento com as organizações e comunidades atingidas para que possamos:
• Extrair todas as lições possíveis daquilo que está acontecendo;e
• Estruturar um programa de atuação com objetivos realistas a curto, médio e longo-prazos.

Nesse sentido, seria importante convidar os principais setores da sociedade, (incluindo representantes do governo federal) para ouvir os relatos daqueles afetados pelos desastres recentes. A partir desses relatos, seria essencial a criação de compromissos de atuação imediata. Seria fundamental a definição de objetivos, responsabilidades e mecanismos de controle, para evitar que tudo isso não se torne apenas um festival de conversa fiada e aparições públicas improdutivas.

Vamos converter a crise em uma oportunidade para efetivar mudanças, melhorias e conquistas.

 

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